7 de janeiro de 2018

apagar-me-ei


A minha
vontade é apagar tudo
o que já fiz, porque sinto
que não fiz nada

Mas quisera, nada não existisse
haveria, então, somente o tudo
mas tudo se tornou uma palavra tão banal
que eu sinto que tudo o que escrevo é
tão banal quanto tudo o que já fiz

e minha vontade era não
ter feito nada, para não carregar este sentimento
que tem peso de tudo

e mais banalidades fazem
com que eu queira me esconder
quando minha vontade tem mais a ver
com a vida do que com este banal viver
ao qual os outros se subjugam

Minha vontade era não mais ser um eu
não mais ter algo de meu
porque tudo que diz respeito ao ego
é tão banal quanto o uso da palavra tudo

eu queria
eu Nada
nada queria era não mais ter um corpo
tão sólido e pesado de tanto líquido

queria era ser gasosa
para ser um outro gás a dar vida
aos banais viveres
tal qual poesia;
nada queria
toda (e não tudo) a minha vontade.

5 comentários:

  1. Paradoxalmente, quando as emoções afloram ao máximo, é comum, mesmo sendo decerto o momento propício para se dizer tudo, não conseguirmos dizer nada. É que todo esse tudo, que tanto tudo nos faz sentir todos, é ao mesmo tempo tanto, que tanto também nos faz sentir todo este nada, todo este nosso gigantesco nada em tudo, este nosso gigantesco nada total que em tudo afinal, sim, paradoxalmente, somos. E nada dizemos. Apenas do nada o tudo sentimos.
    GK

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    1. Ah!, Gugu! Tu disse de forma mais coesa e mais elegante exatamente o que senti ao escrever este poema. E, claro, em teu texto teve um acréscimo das percepções que não tive...

      Belíssimo!

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  2. U-A-U!
    Seu poema diz tanto sobre mim ultimamente, tantooo!

    www.memorizeis.com

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    1. Sinto que toda existência carrega um pouco de tudo, logo, um pouco de nada...

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