2 de setembro de 2016

Um risco



Um risco
Assim,
a riscar
e arriscar

As palavras
que sempre me foram pavorosas
e medonhas,
minhas tantas vozes
vezes chorosas
outrora, risonhas
desnudando-me
que às vezes chego a sentir-me envergonhada
mas não.

Outro risco,
uma marca
como uma cicatriz eterna
de machucado nenhum.

E a flor na lembrança
(outro risco, outra memória)
da receosa criança
(e de uma infância ilusória)
por desafiar a sorte
bem me quer
mal me quer
e a dó
e a dor
de desmanchar uma flor.
(mas que maldade!)

E o medo
do mal me quer
rasgando as pétalas sutis,
desespero
e amor
de mulher.

Arriscar, arriscar... um risco.
Nem superstição
nem futuro.
Um risco
a riscar
o agora,
a única hora
que dura a eternidade
deste mísero segundo,
nossa maior preciosidade.

6 comentários:

  1. Onde não há risco de derrota, não há possibilidade de vitória.
    GK

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    1. verdade, o risco não está exatamente em perder, mas sim em perder-se.

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  2. É imenso o medo do mal-me-quer... É intensa a barreira do risco.


    Poema maravilhoso!

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  3. Te li e reli, e entender me parece como viver uma noite com todas cores de New York. Quero dizer que enquanto você desfila versos, acorda os sonhos e o relógio dispara, marcando outro segundo que foi .. e eu vou feliz, por ter estado aqui.
    Saudações!

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    Respostas
    1. Que bom que meus versos (atropelados) te deixam feliz!

      saudações!

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