6 de abril de 2016

Cidade Fantasma



Apesar de não ter nascido aqui, é desta terra que eu sou. E independente do que sinto quanto a isso, esse fato é inegável.
A cidade parece estar morta. Poucos eventos importantes, poucas pessoas, muita hipocrisia. O clima é quase infernal, se expor ao é sol é praticamente se cozir e o ar só não é vapor porque vapor é úmido, aqui é totalmente seco. Entretanto, apesar de possuir as características de "cidade do sertão", essa possui um quê de mistério que só ela tem. Um vazio poético preenchido por uma ânsia vital. E eu sinto pena, da cidade e de mim mesma porque fui feita pra esse vazio. A cidade divaga em mim, não o contrário. Ela foi o fantasma que me atormentou durante anos, até o momento em que e aprendi a aceitá-la. Na verdade, até o momento  em que me identifiquei. No instante  em que pude ver poesia nessa entidade fantasmagórica, pude ver a poesia em mim. E nenhum espaço tão pequeno quanto esta cidade pode me impedir de ser plena. Seus horizontes não limitam minha plenitude, ao contrário, faz-me ver que é possível transbordar se o espaço for pouco. Porque ninguém pôde averiguar, mas o espaço é infinito (e a alma também). A cidade foi meu palco, singelo palco, que não me permitiu caprichos no figurino, por escolha minha. Durante muito tempo esse fantasma me confortou, posto que hoje o que me assombra é o fato de que terei de abandoná-lo.
É verdade que sua sede é num buraco, limita-se a ele somente quem quer, pois suas bordas são inatingíveis, e, uma vez estando lá, cai-se num vôo, sendo que não há pouso no vôo da utopia.
Foi tua pequenice que deu a infinita grandeza poética aos teus céus.
Ah, Cidade Fantasma... Teus horizontes  aindaa são os mais lindos...

2 comentários:

  1. São Paulo é um mal necessário.
    GK

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    1. Sim, de vez em quando faz bem uma dose oposta daquilo que gostamos.

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