6 de março de 2015

Um motivo, várias motivações: Capítulo VI - Me deixei por cair


[...]
Minha cabeça estava tão bagunçada quanto o amontoado em cima da cadeira. Enquanto saia, ele abriu mais a porta, de maneira a escancará-la. Eu odiava aquilo. Mas estava feliz porque sabia que ainda era o meu irmão que estava ali, que foi mesmo dele que saiu o consolo. Meu irmão.
Passei um bom tempo refletindo e olhando para o boneco... Quando pequenos, eu e o Nacinho, costumávamos assistir vários episódios daquele desenho. Juntos. Hoje brigamos pela TV, eu pra ver meus seriados, ele pra jogar.
A fome bateu, e por mais que as reflexões fluam mais quando se está com fome, eu desci pra ver o que me restava pra comer.

Ao subir de volta, decidi arrumar toda aquela bagunça do quarto. Era mais uma tentativa de arrumar a da cabeça também. Comecei tirando tudo o que tava jogado pelo chão: roupas, livros didáticos, fones de ouvido e outros objetos diversos. Peguei também minha mochila sob a cadeira e ao organizar meu material escolar, me deparei com o livro "O universo conspira". O nome não era assim, mas depois de uma análise completa decidi que assim eu o chamaria. A história dele ainda ardia vivamente em mim. No geral, era aquele mesmo clichê em que no fim tudo dá certo, mas a maneira como o autor relatava tudo era única e tinha um quê de encantador. Assim como os personagens também tinham características cativantes. E o universo conspirava... ah, o universo.
Muitos podem até contradizer que na vida real o universo nunca conspira. Não creio que seja assim, porque à minha volta tudo pode tá dando errado, mas ainda consigo ver a vida de outros sortudos, pessoas que possuem afinidade com o universo. O universo sempre conspira pra alguém.
Saindo desses devaneios induzidos pelo livro, me deixei por cair na cama, nela me deixei cair em pensamentos, neles me deixei cair no sono.
Uma queda.
Assim se resumiu minha noite. Uma queda sem fim até o amanhecer.

De volta à escola, finalmente vi a  Fa. Ela estava um pouco abatida, mas isso nada interferiu na sua maneira de falar. Encontramos também a Bruna e então as resenhas foram inevitáveis.
- Conta Fa, porque foi que você sumiu? - A Bruna interrompia um riso escandaloso - Senti sua falta.
Fabrine sorriu terna e respondeu:
- Foram só alguns problemas pessoais. - Sua resposta era um pouco dura.
- Tudo bem se não quiser falar no assunto. Estamos aqui pra quando quiser desabafar.
Caramba! A Bruna realmente me surpreendia com seu jeito acolhedor, não era à toa que muita gente gostava dela. Durante muitos meses de convivência, enquanto eu me irritava com o jeito replicado que Fa tinha, a Bruna levava tudo como uma simples forma de afeto.
- E cadê o seu amigo retardado e o Henri? É um milagre não ter visto eles ainda. - Dessa vez suas palavras eram direcionadas a mim. É, talvez ela nem sempre fosse delicada com todos.
- Não sei. E não quero vê-los. O Lázaro anda agindo como quem não precisa de amigos e conselhos, então, nem faço questão de mais nada.
- Iiiiiiih! O que foi que aconteceu pra você ficar tão indignada com eles?
- Com "eles" não, com "ele".
Contei o caso do dia anterior para a Bruna, despejando em forma de palavras tudo aquilo que as lágrimas não conseguiram tirar.
- Ah, Clara! O Lázaro sempre teve esse jeito "sei muito bem o que estou fazendo", você é que sempre foi uma tola em insistir em tentar ajudar ele.
- Mas dessa vez farei exatamente o contrário. Ele que se dane sozinho. - A Bruna deu um sorrisinho do tipo que duvida muito do que está ouvindo.
O professor entrou na sala antes que eu pudesse argumentar  contra aquelas palavras implícitas. Pela primeira vez em dias, consegui me interessar pelo assunto e adentrá-lo. Nem sei exatamente o porquê, só sei que isso deu um descanso para o meu emocional.

No intervalo eu já estava mais relaxada, depois de umas boas risadas com a Bruna. Encontramos o Henri no local habitual.
- Iaê Ricão!! - A Bruna se mostrava divertida como sempre.
Jogamos conversa fora por alguns minutos, até que a Bruna foi comprar nossos lanches.
Nos mantivemos em silêncio, dessa vez menos inquietos que da última.
- Cadê o Lázaro? - Quebrei o silêncio sem demostrar emoção alguma nas palavras.
- Quando bateu o sinal ele foi direto pro banheiro. Disse que hoje não se sentaria com a gente, porque ainda está evitando seus sermões.
Aquilo conseguiu alterar qualquer traço de naturalidade que eu carregava comigo. Meu humor à flor da pele, permitiu que eu ficasse extremamente irritada com aquela ideia. Enquanto eu o privava de minhas palavras acreditando estar castigando-o, era exatamente isso o que ele queria, que eu ficasse de boca fechada com meus conselhos.
Sentindo meu rosto ardendo, levantei-me decidida:
- É sermão que ele não quer. É sermão que ele irá ter.
Assim, fui caminhando em direção ao corredor. O caminho estava livre, pois a maioria tava comprando lanche ou sentado à toa. Segurei na maçaneta da porta que tinha o símbolo masculino, girei e entrei.

2 comentários:

  1. kksalklasjkldslarhie garota que entra no banheiro masculino, coisa de filme kkkk u.u Continuaaaa!! Uh terêrêeee barracoo!!

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    1. e de Web série haha'
      na vida real eu já entrei tbm u.u

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