2 de outubro de 2014

Um motivo, várias motivações: Capítulo IV - É impossível manter-se calma


É bem possível que nem se lembrem mais dessa Web Série. O fato é que ela voltou e se caso queiram relembrá-la, cliquem aqui.

[...]
Toda essa calma foi um modo de esconder o ódio momentâneo. Sim, no momento eu fiquei irritada por ele defender aquela garota, mas só no momento. Eu entendia tudo o que ela pretendia, até porque, creio eu, todo mundo já teve alguma pretensão parecida. Quem é que nunca quis só uma vez na vida se aproximar de alguma pessoa que todos admirassem (ou algo assim) só para receber a mesma atenção? Eu já pensei uma vez assim. Mas depois vi que nunca precisei da atenção de todos, só daqueles que realmente me importavam. E a Bruna é o tipo de pessoa que todos gostam de ter como companhia, divertida, conselheira, de bons argumentos, tudo na hora e medida certa. Possuía afinidade com grande parte do colégio, inclusive com os professores. Era óbvio que a Danielle queria se aproximar dela para ser um pouco mais estimada, e de quebra estava levando o Lázaro, que era apenas um ingênuo. Não, ingênuo para ele é exagero, quase isso.
No nosso colégio nunca esta divisão de: grupinho dos populares ou grupinho dos nerds. Na verdade os grupos eram compostos pelos mais variados seres, às vezes tinham algo em comum, mas havia mais diferenças e talvez fossem elas a causa dessas uniões.

Entrei na sala e me sentei no meu lugar habitual. Havia um grupinho fazendo zoeiras na sala, ri da maioria delas, e nem me dei conta de que o professor estava demorando. Logo mais alguém da secretaria entrou anunciando:
- Alunos do 2ºC, o professor Paulo está doente e não pôde comparecer. Peço que me sigam até a sala de vídeo, pois ele deixou um filme complemento pra vocês.
Dois filmes numa mesma semana era muita sorte. O colégio sempre se aprofundou demais na aprendizagem de conteúdo, para nos preparar para vestibulares, e dificilmente passam filmes em sala. O que sempre passam são indicações para assistirmos em casa.
Arrumei minha mesa e sai com a turma.
- Segura isso pra mim? – Me pediu a Sarah. Peguei seu caderno, para que suas mãos ficassem livres e ela pudesse amarrar o cabelo.
- Obrigada! – Ela disse depois de amarrá-lo e pegou o caderno.
Estávamos seguindo para a sala de vídeo quando um outro secretário da secretaria passou por nós acompanhado de algum aluno que não sei o nome e do Lázaro. O outro aluno estava com o nariz sangrando e eu podia imaginar o que tinha acontecido. Pensei em perguntar, mas me contive, fazendo apenas uma cara de quem merece explicações para o Lázaro, ele por sua vez, estava com uma cara muito brava.
Logo o pessoal que seguia comigo se inquietou. Todos deviam estar tão curiosos quanto eu. Algumas garotas à minha frente começaram a cochichar indagações, os meninos não cochichavam, mas procuravam ouvir atentamente as palavras e o professor se mantinha indiferente, afinal, casos assim são bastante comuns nas escolas.

O tempo passou lentamente. O filme era interessante, mas minha cabeça só dava espaço ao que poderia ter acontecido ao Lázaro. Fiquei o filme inteiro formulando sermões para o Lázaro, perguntas para o Henri e mais sermões para o Lázaro. E o pior era que eu sabia que nem todo o sermão do mundo mudaria algo no Lázaro. Ele sempre agiu por impulso, sem pensar nas possíveis consequências. E quem é que pensa em algo quando se deixa levar pelo instinto? E o Lázaro sempre se deixou levar pelo Id...
Duas aulas de filme pareciam uma eternidade, até o filme parecia não ter fim.
E finalmente a aula tocou.
Sai apressada na esperança de encontrar o Lázaro no corredor, em vez disso encontrei o Henri.
- Me diz o que foi que aconteceu com o Lázaro? – Fui direta.
- Impulsividade, mais uma vez.
- Conta isso direito Henri! Por que é que ele se envolveu em encrenca? Será possível que ele não vê que o histórico dele já está negro demais?!? – Não era a primeira vez que o Lázaro ia pra secretaria, na verdade todos nós (Eu, o Lázaro, a Bruna, o Henri e a Fa) conhecíamos muito bem aquele pedaço do colégio. E isso era uma das poucas coisas que tínhamos em comum.
Ele estava com a expressão irritada, o que era muito incomum pois o Henrique sempre foi do tipo que cultiva sorrisos simpáticos.
- Ele não me explicou muito bem, voltou para a sala pra cumprir detenção. Mas parece que um aluno da sala em frente tava com uma menina lá, só sei que o Lázaro se envolveu na briguinha deles e deu no que deu! – Foi sua explicação.
- Aposto que era a Danielly. Que babaca! Se ferrar por causa de uma menina idiota!! Só mesmo um idiota como ele. – Eu estava muito indignada.
- Não Clara, não foi ela! Eu também perguntei isso a ele e ele me disse que não conhecia a garota. – O Henri tentava me acalmar.
- E ele quis dá uma de herói do dia. Desse jeito ele acaba sendo expulso!
- Parece que dessa vez ele ganhou apenas uma advertência. Assim como o outro cara.
- Mesmo assim Henri! De todos nós ele é o que mais se mete nessas encrencas e nem chega a pensar que está a beira de uma expulsão.
- Calma Clara, calma...
- É impossível!
- Nada é impossível! Agora acho melhor a gente ir pra sala ou vamos acabar fazendo companhia ao Lázaro.
Respirei fundo e nós seguimos pelo corredor até o ponto onde seguiríamos caminhos diferentes.
- Tchau irritadinha!
- Tchau...
E aquilo realmente me irritou. Como manter a calma quando as pessoas decidem fazer justamente as coisas que mais irritam?
Mais uma vez respirei fundo, na intenção de que isso me acalmasse e adentrei a sala. Como previsto o professor já havia chegado, pedi permissão para entrar, esta que me foi concedida. Sentei e mais uma vez não absorvi nada de toda a aula. Por receio, peguei o celular e enviei uma mensagem para o Henri:
Não vá embora sem mim. Preciso esclarecer essa história com o Lázaro.” Eu parecia muito obsecada, mas era tudo preocupação.
Tentei desviar meus pensamentos para a aula novamente e à vezes até conseguia, porém, meu cérebro voltava ao mesmo ponto.

Na saída só encontrei o Henri.
- Cadê o Lázaro? – Eu perguntei.
- Já foi.
- Poxa Henri, não viu minha mensagem?
- Vi agora a pouco. Mas mesmo assim, o Lázaro quer evitar seus sermões... Diz ele que já teve demais por hoje.
E aquilo conseguiu me irritar muito mais do que antes.

- Aquele idiota! – Foi tudo o que eu disse.

2 comentários:

  1. Meu Deeeeeeeeeeeeeeus!! Três seculos se passam e... kkkk Okay, nem posso falar tanto porquê né u.u Mas realmente, eu nem me lembrava (como se isso fosse novidade), claro que lembrei da web e dos personagens mas não do ultimo capito que eu li, e sim, por isso foi preciso rele-los kkk se bem que alguns, não me lembrava de já ter lido :/
    CONTINUUUAAAA!! Ta muito bacana!! Quero saber o que vai rolar entre a Clarissa e o Lázaro (q nome legal u.u kkk) depois :DD cada vez melhor o///

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, já tava até criando casa de aranha kkkkkkkkkkkkkkkkkk mas pelo menos não morreu, não antes do fim. Fico feliz que eu tenha perdido o pique dessa escrita e feliz tbm pr ter gostado! ^-^

      Excluir

Pesquisar este blog