6 de agosto de 2014

Até (quem sabe nunca) mais palavras amargas


Não é pra ser um texto cheio de poesia. Poesia é coisa boa e eu não estou bem. Estou inconformada comigo mesma, que afugento a inspiração pra não sei onde, como se ela fosse um pássaro irritante. Talvez seja o seu canto belo que me irrite. Não, o problema está em mim que não consigo tirar a melodia de seu canto e passar para o papel, assim me faltam as doces palavras. Minha incapacidade me frustra, e a frustração expressa num gesto de raiva manda o pássaro para longe. Longe não sei onde.
Tudo em volta perde a cor. O pássaro levou a criatividade, o pássaro era feito de criatividade. Ele voa lindamente em direção ao pôr do sol, sua casa deve ser atrás daquela dourada luz que cega, sua casa deve ser a luz. Com meus olhos cheios de lágrimas, vejo os últimos calorosos raios atravessando o vidro da janela. O resto é sombra, e então percebo que é somente isso o que me resta... as sombras. À medida que as cores vão sumindo, o vazio transparece. Mas espere um pouco... Ele nem é tão vazio assim. O danado está em cima da mesa, se encaixa tão perfeitamente a esse ambiente que é o meu interior. O sinto, está cheio. Cheio de desespero, então o sirvo para mim. As palavras saem atropeladas, assim como as lágrimas. Que grande sorte a minha, achei um pouco de desespero na fonte e um pouco de inspiração no desespero. Mas essa inspiração é bruta e deprimente. Dela saem pedidos de socorro para comigo mesma. Estou tão solitária assim? A ponto de nem mesmo meu ser me fazer companhia?
O desespero em forma de café é amargo. Tão amargo quanto eu tenho sido nos últimos tempos. Penso até, que nem uma dose exagerada de açúcar acabaria com sua amargura. Analisando o desespero, consigo ver que eu ainda o supero. Pelo menos ele não é seco. Mas que falta de estima a minha... Não posso me deixar afundar no meu próprio vazio, essa queda não tem fim! E eu preciso dar um fim nessa urgência, nessa necessidade de me preencher. O deixo escapar por entre essas palavras, é um alívio para minha mente. Respiro um pouco do ar vital, afinal, a vida tem que continuar...
Dou o último gole de desespero e aqui o findo.

4 comentários:

  1. "Estou tão solitária assim? A ponto de nem mesmo meu ser me fazer companhia?" cara, isso é realmente o fim para mim kk Mas é como dizem: Para cada fim, existe um recomeço.
    Lindo esse texto, Kate!! :DD gamei u...u kkk taparei u.u

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    1. Owwwwwwn' E qual seria a graça de seguir a vida se não fosse a opção de recomeçar? kkkk'
      Vlw Bii!

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  2. Nossa que melancolia, despejada em formas palavras, eu sinceramente adorei o texto, parece que tem mais de um sentimento ai, sentimentos confusos, o texto em si retrata isso muito bem!

    EU ADOREI!

    XOXO :D
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    1. OOH, e como tem!! A gente pensa mil e uma coisa e então sai isso. O bom de expressar tantos sentimentos em meio a confusão, é que a gente se sente aliviado depois...

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