1 de novembro de 2013

Um motivo, várias motivações: Capítulo I - Um pouco da vida rotineira escolar


Estávamos no meio do ano letivo...
Despertei com o som de algo vibrando, senti meu celular. Olhei em volta, ninguém havia notado. Todos estavam em seus lugares (alguns acordados, outros dormindo), a professora Glória murmurava algo em frente à TV, e aquele filme chato de história ainda estava passando. Olhei para o lado e vi a Bruna dormindo, me lembrei que também estava dormindo e que havia acordado por causa do celular.
O peguei dentro da minha mochila. Uma mensagem do "Id", o Lázaro, que eu costumava chamar de idiota, principalmente porque ele sempre agia de acordo com o seu instinto como se o seu Id controlasse o Ego e o Super ego. Bem, pelo menos era assim que eu o classificava.
"Fila a aula..." - Dizia a mensagem.
"Não dá, mais uma e o meu pai me proíbe até de respirar!" - Respondi.
"Ele não precisa ficar sabendo" - Ele escreveu.
"Diz isto para a diretora" - Disse por fim, quando percebi que os alunos haviam todos acordados, exceto pela Bruna, e que os créditos estavam passando despreocupadamente pela TV. A professora se levantou (ainda voltada para a TV) e bocejou, peguei o primeiro objeto que vi e joguei na cabeça da Bruna.
- Ai! - Ela disse alto ao acordar.
- Algum problema, senhorita Simas? - A professora já havia se virado para a turma e perguntava à Bruna. Esta, logo entendeu a situação e se apressou em responder:
- Não professora, só me machuquei com alguma coisa pontiaguda aqui na mesa.
A professora fez cara de quem não engolia a história, mas mesmo assim ignorou.
- Bom gente, este filme retrata.... - A professora dizia à sala de aula, ou simplesmente aos interessados.
Olhei para Bruna, com um olhar que a fizesse entender que aquilo foi pro bem dela. Ela me devolveu o olhar como se dissesse "Não tinha forma mais sutil de me acordar, não?". Voltamos a fitar a professora, eu a só fitar, porque a mente tava longe... Depois da professora Glória ter dito umas palavras que não consegui absorver, a sala foi liberada. Todos haviam se levantado e se direcionado à saída, inclusive eu e a Bruna, quando a professora disse num tom cortante:
- Bruna!
Percebi o susto da Bruna que atendeu ao chamado da professora.
- Sim, professora. - Ela respondeu meio sem jeito.
- Quero que vá até a secretaria... - Disse a professora em tom seco, me assustei também -... alertar a diretora sobre as mesas. Creio que ela deverá tomar algumas atitudes para que mais ninguém se machuque. - Terminando, voltou a olhar a papelada em sua mão, me senti aliviada.
- Ah, sim, pode deixar prof. - Bruna voltou ao seu estado habitual.
Saímos da sala e fomos andando até o pátio, era intervalo.
- Isto é seu! - Disse ela me devolvendo a borracha.
- De nada Bruna, da próxima vez deixo você levar uma suspensão por dormir em sala de aula. - Eu disse em tom emburrado.
- Tá, obrigada. Mas vê se da próxima vez tenta ser mais delicada. - Disse ela.
Eu poderia retrucar dizendo que na hora do desespero a gente faz o que dá e que ela não podia reclamar pois eu a havia livrado de um problema e tanto... Porém tudo o que fiz foi guardar estes pensamentos para mim e seguir minha trajetória.
Logo avistei o Lázaro, que estava acompanhado de Henrique seu amigo. Dei um sorriso espontâneo e apressei o passo. Sentei-me num degrau da escada abaixo do Lázaro (que estava sentado em outro degrau) e a Bruna sentou ao meu lado.
- E aí, como foram as primeiras aulas de torturas? - Perguntou o Lázaro à nós.
- Foi um sonho. - Respondeu Bruna.
- Um sonho? - Perguntou Lázaro.
- É, a gente dormiu... - Respondi. O Henrique riu, um riso contagiante, o mesmo riso que eu tanto apreciava.
- Tá melhorando nas piadas, hein Bruna? - Provocou o Lázaro.
- Só não consigo ser melhor que você, que é palhaço profissional. - Devolveu Bruna. Eles dois viviam brigando e eu era quem sempre ficava no meio do muro (entre os dois melhores amigos), já que o Henri (este seu apelido) e a Fabrine (uma garota que também andava com a gente) tinham a quem apoiar... No caso do Henri, o Lázaro. E no caso da Fa, a Bruna.
Era complicado, mas eu sabia me esquivar nessas situações.
- Gente, por favor! Ninguém ganha de mim nas piadas. - Disse tentando me gabar.
- Você que pensa! - Disse Lázaro.
- Tá bom, Lázaro, você tem razão. Eu sou uma péssima humorista diante de você. - Atuei um pouco. Todos ficaram meio confusos e sem expressão.
- Entenderam? Foi uma piada.- Eu disse por fim, e foi o suficiente para as gargalhadas surgirem.
O sinal havia tocado, mas antes que nos retirássemos, a Danielle chegou. Danielle era uma estudante do 1º ano, uma daquelas patricinhas que chegam no colégio e querem ser as mais populares, o tipo de gente mais egoísta e egocêntrico que já vi.
- Lá!! - Ela disse ao Lázaro, entregando-o um caderno, o dele. - Obrigada pelo seu caderno.
- Tirou suas dúvidas? - Perguntou Lázaro.
- Um pouco, acho que não foi o suficiente. Você poderia me dar umas aulinhas mais tarde?
- Quem sabe? - Disse Lázaro, ou melhor, o "Lá".
- Então... Até mais tarde Lá! - E saiu. Ninguém chamava o Lázaro de "Lá", era sempre o mesmo, nem mais (Lazarozinho), nem menos (Lá), era simplesmente Lázaro.
Depois de presenciar aquela ceninha patética, incrédula eu disse:
- Até mais Professor "Lá". - depois sorri - Tchau Henri.
A Bruna se despediu com gargalhadas por causa da minha ironia "professor Lá", depois seguimos para a sala.
Eu ia me perdendo em diversos pensamentos frustrantes, e a Bruna um pouco séria, até que ela disse:
- Ué... Não vi a Fa hoje. - Ela reparou. A Fabrine estudava no 1º ano, era prima da Bruna, ou como eu analisava, a sua sombra... Não vou entrar em detalhes, não agora.
Então, percebi que não a havia visto também, o que era superesquisito, pois como já disse a Fabrine era como uma sombra da Bruna (em outras palavras, uma cópia). Apesar da garota ficar tentando ser e agir como a Bruna, a Bruna realmente gostava dela, e justificava sua atitude plagiadora chamando a garota de sua "fã".
- Ela deve ter percebido que não é legal ser sombra dos outros, e deve ter procurado algo melhor para
fazer. - Sugeri.
- Mesmo assim, é estranho. - Disse Bruna enquanto entrávamos na sala, era aula de Biologia e por sorte a megera... Ops! A professora Sandra ainda não havia entrado na sala. Nos sentamos.
- Briguei com o Miguel. - Disse Bruna. Miguel era o seu namorado que estudava no 1º ano na faculdade de Engenharia Civil, um ex-estudante do nosso colégio.
- Me conte uma novidade! - Eu disse com um pouco de sarcasmo.
- Eu e ele reatamos. - Disse Bruna.
- Ué! Você não acabou de dizer que haviam brigado? - Eu estava confusa.
- Isto antes de reatarmos! - Ela falou em um tom alegre. Antes que pudéssemos nos aprofundar no assunto, a megera, quer dizer, a professora Sandra entrou na sala de aula. E eu sabia que a partir dali, as torturas iriam recomeçar.

2 comentários:

  1. Uhuuuuuuuuuuuuuu!! OBA! Primeiro capitulo, posta logo o proximooooooooooo!! :DDDDD
    Amei os personagens *-----* e "fã" eu uso essa expressão .-. kkkk' me identifiquei, ai que emoção *0* posta looogo!!!

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    Respostas
    1. Pode deixar, quando der eu posto (ÊÊÊÊÊÊ capítulo 2 em 2015 kkkk).
      Que emoção mesmo! ^-^

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