11 de setembro de 2017

A última visita


Toda vez que tocava a campainha
(E que doce som ela tinha)
Eu imaginava que fosse tu

E logo eu sentia as batidas
na porta interna de meu corpo
(coração agitado)
Eu escutava os passos
E não
não era
tu
E eu
Quebrada pela decepção
Eu me submergia em pensamentos
E me cortava com os cacos de mim mesma
E depois a dor perdia a amargura
Ao doce som da campainha,
novamente.
Novamente,
Não era tu quem vinha.

Quando a campainha tocou numa última vez
Eu estava ocupada demais (com meus cacos)
para dar atenção e atender
Foi quando tu entrou
Eu nem vi
Tu nem viu
Enquanto que a gente se viu
bem além desses olhos

Eu queria era te tocar
bem além desse corpo
Tocar tua campainha
numa última visita
para morar em ti

Como não temos recipientes
para bebermos o café,
a gente se bebe
Do mesmo jeito que a gente se olha
bem além do que se toca o corpo

Isso basta
Mas amar é uma sede eterna
Por se beber
Eu e tu
Enquanto a gente se acolher
Hóspedes que somos

28 de julho de 2017

O olho do céu, o buraco do teto


Imensidão e abismo.
Os olhos de nuvem,
que às vezes faz chuva
e às vezes deixa a seca reinar.

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